O Caderno, o Jardim e a Última Homenagem

 A manhã estava silenciosa quando o pedido chegou pelo nosso WhatsApp. O destino era o cemitério Campo da Esperança, no Plano Piloto. Era o pedido de uma das nossas coroas tradicionais de rosas e crisântemos, mas o que sempre nos marca não são apenas as flores escolhidas, e sim as histórias que elas carregam.

O cliente, com a voz embargada no áudio, nos contou como tomou a decisão das cores do arranjo. Na noite anterior, enquanto tentava encontrar forças e palavras para a faixa de despedida de seu pai, ele parou por um momento na sala de casa. Sentado no tapete, seu filho de 8 anos estava em silêncio, concentrado, desenhando em um caderno.


Ao se aproximar, o pai viu que o menino desenhava o avô. No papel, o senhor não estava deitado ou doente; ele estava em pé, sorrindo, cercado por um jardim vibrante de traços infantis vermelhos e amarelos.

Naquele instante, o cliente percebeu que a despedida não precisava ser apenas cinza. A coroa de flores que ele encomendou conosco na manhã seguinte era um reflexo daquele caderno: cheia de vida, de cores quentes e de um amor que se recusa a apagar.

Quando nossa equipe fez a entrega pontual na capela, o arranjo foi posicionado com todo o cuidado. Sabíamos que não estávamos entregando apenas crisântemos e rosas. Estávamos entregando a materialização daquele desenho, um jardim palpável para honrar uma vida inteira de memórias.

Na Vitrine Fina Flor, cada entrega nos ensina que o luto é, no fundo, a forma mais resiliente do amor.

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